Comportamento Seguro

Buscando conhecer a dimensão psicossocial da Saúde e Segurança no Trabalho? A Psicologia tem muito a contribuir para o desafio de construir ambientes profissionais que respeitem a Vida, a Integridade e a Qualidade de Vida das pessoas. 

 livros

É certo que a prevenção dos acidentes e das doenças ocupacionais é a principal via de acesso à mudança deste que se configura como um verdadeiro problema de saúde pública tanto para o Brasil, quanto para outros países do mundo: o acidente de trabalho. À luz do conhecimento produzido sobre o comportamento humano, é possível afirmar que aprender a comporta-se de forma preventiva (segura) pode ser um dos meios possíveis e eficazes de capacitar o trabalhador para prevenir lesões e doenças relativas ao trabalho, para si e para os colegas com os quais trabalha. Para que seja possível promover o ensino de comportamentos preventivos em segurança do trabalho, é necessário, antes, compreender o que, efetivamente, precisa ser ensinado e aprendido, bem como de que forma isso pode ocorrer.Tratar- se de uma forma de consulta, discussão e análise de alguns aspectos centrais no que diz respeito ao estudo e a gestão de processos e programas de prevenção em saúde e segurança, baseados no comportamento humano, ou melhor, baseadas nas pessoas.

Como adquirir?

- Compras on-line pelo site da Editora Artesã 

- Diretamente nas livrarias: Livraria Cultura (todo o Brasil), Carlos Livraria (Curitiba) e Mahatma Livraria de Expansão (Curitiba).

Quer conhecer o Prefácio?

O Prefácio da 2a Edição Revista e Ampliada foi elaborado por um prevencionista que admiro profundamente há tempos. Ele foi um dos primeiros engenheiros de segurança com quem trabalhei e com ele aprendi muito. Aprendi sobre entusiasmo, sobre foco, sobre colocar a proteção à vida como um valor, acima de qualquer meta ou resultado.

Confira o texto abaixo:

"Prefaciar a nova edição do livro sobre Comportamento Seguro da Juliana Bley me fez sentir honrado e desafiado.

Honrado, pois Juliana é uma profissional extremamente capacitada na abordagem dos aspectos psicológicos e organizacionais que influenciam a ocorrência de acidentes além de ser referência no que se refere à Psicologia da Segurança do Trabalho. Conheço, há mais de 10 anos, o trabalho entusiasmado e vibrante que Juliana realiza, período no qual aprendi a admirar e prestar atenção no que ela diz e em suas propostas, que além de profissionais e consistentes, são muito criativas.

Desafiador é a um Engenheiro de Segurança prefaciar o livro de uma Psicóloga. Engenheiros são treinados a pensar de maneira muito lógica: 2 mais 2 é sempre 4! Eventualmente, sob outros olhares, isto não seja totalmente verdadeiro. Desafiador é entender por que nós, seres humanos, nos comportamos da maneira como nos comportamos frente a riscos conhecidos, mapeados, entendidos e compreendidos e por que é tão difícil desenvolver o comportamento seguro nas pessoas e, por que não, em nós mesmos. O que nos leva a agir da forma como agimos, mesmo tendo a informação e a consciência dos riscos que podemos estar correndo? Como desenvolver o “comportamento seguro” em nós e nas pessoas que influenciamos? Conseguimos de fato influenciar no comportamento humano? Como conseguir resultados sustentáveis e melhoria contínua?

No ambiente complexo em que vivemos e atuamos, a temática do comportamento seguro é transversal e passa por diversas disciplinas e níveis hierárquicos.

Como escreve a Juliana, “ensinar alguém a trabalhar com consciência de segurança passa, necessariamente, por ensinar esse alguém a conhecer criticamente sua realidade, a fazer escolhas com relação a elas, considerando as consequências para si e para aqueles que o cercam. Assim posto, o processo de conscientização e educação com foco na prevenção não pode ficar restrito ao nível da obediência e do controle.” Este “ensinar” está intimamente ligado à Política de Segurança estabelecida na empresa, e esta é uma atribuição da alta liderança. A alta liderança estabelece os rumos a seguir, o que é importante, o que é aceito e o que não é tolerado.

Estou convencido que de todos os fatores envolvidos na prevenção de acidentes, liderança é o mais importante e o que mais influencia quando se trata do estabelecimento de ações e exemplos para propiciar um ambiente seguro de trabalho e a busca do comportamento seguro. É o líder que estabelece a cultura vigente. É ele quem muda a cultura e é ele o maior responsável pelos resultados obtidos, positivos ou não. É ele que estabelece se Segurança é, realmente, um valor para a organização. Valor explicitado e praticado. Claro que esta tarefa não é somente do líder maior, mas sim de toda a linha hierárquica. Em analogia às antigas galeras (1) costumo dizer que é o líder quem dá, em última análise, o “ritmo da remada”.

Por outro lado desenvolver ações para a conscientização da força de trabalho são necessárias, mas não suficientes. É necessária a conscientização do trabalhador. Entendo que a conscientização é um processo interno ao ser humano que é influenciado pelo entorno, mas que depende essencialmente de um “click” interno. Este “click” interno é o outro desafio que encontramos nas atividades relacionadas à prevenção de acidentes.

Como desenvolver o conceito do cuidado ativo, do cuidar de si, do cuidar do outro e o de deixar-se cuidar? Como garantir que o aprendizado pessoal seja “perenizado” através do conhecimento coletivo, de uma forma abrangente, não apenas aquele aprendizado que decorre da experiência individual de cada um de nós, mas também aquele gerado por uma ocorrência que envolveu diferentes níveis de tomada de decisão como é o caso dos acidentes industriais?

Na década de 1980, Trevor Kletz (2) publicou um artigo intitulado “as organizações não tem memória”(3) e completou que as pessoas mudam de lugar levando a memória consigo. Ou seja, se a organização não buscar meios de “perenizar” o aprendizado, as pessoas que o tiveram a partir da sua vivência diária, do que deu certo e do que deu errado, ou de um acidente levarão consigo o aprendizado (sabemos que as pessoas mudam de lugar, trocam de emprego, se aposentam). Entendo que sem atuação na cultura (organizacional, de segurança) não haverá “perenização” do aprendizado, do conhecimento e do modo seguro de fazer. A cultura estabelecida dará, ou não, solução ao dilema da educação para a prevenção. Assim é fundamental ter processos de disseminação do aprendizado estabelecidos e praticados para a busca desta “perenização” individual e coletiva.

Por outro lado verifica-se, ainda, certa “banalização” quando da ocorrência de acidentes. Um exemplo é o que ocorre no trânsito brasileiro. Charles Perrow em seu livro “Normal Accidents – living with high risk technologies” (4) chama atenção para a “normalização” dos acidentes. Apesar de o conceito ter sido desenvolvido para processos que envolvam alto grau de complexidade e interação, ele se aplica no dia-a-dia do trabalho. Quantas vezes escutamos: “é normal, neste tipo de atividade é esperado que acidentes ocorram”. Realmente é esperado que ocorram acidentes ou estamos “normalizando” sua ocorrência e deixando de nos debruçar sobre o que pode ser feito para sua redução?

Este livro vai lhe auxiliar, Trabalhador, Supervisor, Gerente ou Líder, no entendimento do desenvolvimento de ações que visem influenciar o comportamento seguro com eficácia, usando linguagem clara, direta e objetiva. Que o comportamento não é o resultado somente do que o trabalhador faz ou entendeu que deve fazer, é o resultado das ações – e principalmente da qualidade destas ações - tomadas pelo empregador visando garantir que o trabalhador entendeu, compreendeu e assimilou os riscos das suas atividades e a forma adequada de proteger sua saúde e integridade física.

A leitura irá possibilitar uma reflexão sobre as questões que envolvem o lado humano da prevenção de acidentes, levando a reflexão das metodologias de prevenção adotadas e, certamente, à conclusão da necessidade de mudanças na abordagem utilizada em muitos locais de trabalho e em toda cadeia hierárquica. Você irá questionar-se sobre o que está fazendo para que as pessoas, sob sua influência, adotem comportamentos seguros. Quão eficazes e efetivas são as ações nas quais você vem trabalhando? Como modificar comportamentos no trabalho em situações concretas com as quais o trabalhador precisa ser capaz de lidar? Como educar no cotidiano?

Um amigo meu descreveu uma figura muito interessante para ilustrar o trabalho na prevenção de acidentes: é como remar contra a correnteza em um rio de correnteza forte. Se reduzimos o ritmo da remada, a correnteza nos levará a lugares onde já estivemos. Se pararmos de remar não ficaremos no local aonde chegamos, a correnteza vai nos levar para trás. E por que isto? Comportamento seguro é contra a natureza humana. Por natureza buscamos o menor esforço. Por natureza fazemos um “balanço mental” interno: “o que eu ganho com isto e o que eu perco com isto?” Se o “balanço mental” for positivo para um comportamento de risco, é esperado que o homem médio se arrisque. “A consequência de um comportamento efetivamente seguro é que nada acontece”. Daí porque trabalhar com pessoas é, como escreve a Juliana, ao mesmo tempo fascinante e perigoso".

Rio de Janeiro, fevereiro de 2014

Alexandre Glitz

Engenheiro de Segurança

 

  • antiga embarcação longa e de baixo bordo, movida a vela ou a remos, que servia tanto à marinha de guerra quanto à mercante.
  • autor britânico de inúmeros livros voltados á prevenção de acidentes industriais, ou acidentes maiores.
  • posteriormente, na década de 1990, Trevor Kletz publicou um livro intitulado “Lessons from Disaster – How organizations have no memory and accidents recur” (Lições de Desastres – como as organizações não tem memória e os acidentes se repetem - tradução livre).
  • Acidentes Normais – vivendo com tecnologias de alto risco (tradução livre).

Indicações de leitura:

Acidente de trabalho: o que o psicólogo tem a ver com isso?

O papel do psicólogo na responsabilidade social empresarial

Variáveis que interefem no processo de ensinar comportamentos seguros no trabalho

O uso de fotos de acidentes como principal caminho para a conscientização funciona?

Dissertação de mestrado de Juliana Bley - Variáveis que caracterizam o processo de ensinar comportamentos seguros no trabalho

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