19
Jul

Será que eu vou dar conta?

Sinto medo de você. Será que tenho medo de você ou tenho medo de não ser capaz de lidar com você, de lidar com a rejeição que pode vir de você, com a crítica ou com a agressão que pode vir de você?
 
Sinto medo diante de uma platéia lotada, tenho medo da platéia ou de não ser capaz de falar coisas que atendam as expectativas que as pessoas que estão lá sentadas têm sobre mim e o que vou falar?

Me sinto provocada pela quantidade de vezes que, dia a dia, nos deparamos com esta questão: Será que dou conta?

Consciente e inconscientemente nos deparamos com isso que tenho chamado para meus clientes de "Problema de Tamanho".

Trata-se de algo como o mito de Davi e Golias, uma experiência de comparação entre "meu tamanho" (leia-se ´capacidade´) e o "tamanho das coisas". Isso funciona mais ou menos assim:

Me sinto grande diante deste desafio = Fico confiante de que vou conseguir superá-lo

Me sinto pequeno diante daquele colega que parece mais inteligente = Fico inseguro, gaguejante e evito expor minhas idéias

Me sinto grande diante do meu violão = Executo uma música com graça e leveza

Me sinto pequeno diante do olhar dos outros = Evito ser espontâneo para não dar brecha para falarem de mim

Me sinto grande diante do trabalho que faço = Me torno determinado e criativo diante dos desafios e muito mais produtivo

É isso que diferencia um desafio, um obstáculo, uma barreira e o fim da trilha. É tudo relativo. Depende do tamanho do saltador.

Muitas pessoas sofrem e fazem sofrer diante das mais variadas situações da vida por viverem na ilusão, e até mesmo no profundo desconhecimento, do seu real ´tamanho´, ou seja, por não saberem quem são e nem do que são realmente capazes.

 

Tem os que se acham muito mais do que de fato são (arrogantes, prepotentes)
Há os que se acham muito menos do que de fato são (inferiorizados, impotentes)
E tem os que trabalham para viver e fazer escolhas de acordo com quem são e com suas reais capacidades para este momento (realistas, contentados)

Eis aí um grande trabalho! Comparar-se mais consigo mesmo do que com os outros.

Reconhecer o verdadeiro ´tamanho´ que tem e o real ´tamanho´ das situações descortina um novo nível de experiência da realidade, na qual não sou nem o “rei do mundo”  nem “ um pobre verme”.

Aqui é possível ficar mais em paz consigo mesmo. Aceitar-se naquilo que é hoje, sem que isso represente conformismo. Somos todos seres em constante evolução.

Sou do tamanho que sou HOJE e por isso algumas coisas HOJE me são possíveis, outras ainda não.

Houve um tempo no qual alguns feitos que realizo com facilidade hoje, me eram impossíveis.
Haverá um dia que os obstáculos quase intransponíveis de hoje serão pequenos montes de terra sobre os quais pularei amanhã saltitando e sorrindo, como uma criança...

J.B.

Segue um texto lindo de Mandela sobre este tema...

Nosso receio mais profundo não é de que sejamos inadequados.
Nosso receio mais profundo é que o nosso poder não tem limites.

É a nossa Luz, não a nossa sombra que mais nos amedronta.
Quem sou eu para ser genial, grandioso, talentoso e admirável?

Na verdade quem é você para não o ser?
Seu agir pequeno não serve ao mundo.
Não há nada de esclarecedor em se diminuir para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você.
Nós nascemos para tornar manifesto o Brilho; ele está em cada um de nós!

E à medida que deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente, damos aos outros a permissão para fazer o mesmo.
À medida que nos libertamos dos nossos próprios medos e limites auto-impostos, a nossa Presença, automaticamente, liberta o outro.

Nelson Mandela

Viva Nelson Mandela!