04
Nov

Papai Noel não tem culpa de nada...

 

Já faz tempo...
Todos os anos, nesta época, um fenômeno repetitivo me salta aos olhos.

Chamo hoje de "Síndrome do Susto do Papai Noel". Entre outubro e começo de novembro as lojas e casas começam a enfeitar suas vitrines e fachadas para a chegada do bom velhinho. E com isso vem o susto.

Por todo canto começo a ouvir vozes sussurrando coisas como: "meu Deus, já é Natal!", "nem vi o ano passar!", "parece que foi ontem o carnaval e agora já estamos vendo o Papai Noel!"...
O problema é que, passado o susto, vem a pergunta. "Onde eu estive o ano inteiro que não vi o tempo passar?"

E assim o fenômeno se repete, ano após ano. Conheço pessoas que passaram mais de uma década como se estivessem dormindo, e quando acordaram e se deram conta de que 10 anos se foram pelos vãos dos dedos entraram em choque...e choraram...

O que me parece estar em jogo aí é o gosto. O tempo passa, mas a gente sente o gosto?

Ele passa para todo mundo, mas só alguns estão despertos e apaziguados o suficiente para perceber e sentir o gosto bom da vida, os sabores e aromas de cada encontro, de cada experiência, sentir o calor de uma presença, a textura do travesseiro macio ao deitar, a alegria de um pôr do sol alaranjado e quente, o cheiro das flores que desabrocham na primavera.... 

Ao homem moderno é vedado o degustar dos segundos...é preciso correr, se apressar, e olhar pra trás pra ver se não vem ninguém...

E por isso eu te pergunto:

"Você vive como num jantar à francesa (à luz de velas, aromas e sabores inigualáveis, mastigando com calma e brindando o simples fato de estar vivo)

ou como num almoço num buffet por quilo (uma mesa abarrotada de comidas de todos os tipo, seu prato transbordando para não perder de provar nenhuma iguaria, 15 minutos para engolir tudo sem mastigar enquanto fala ao celular e com o colega sentado à frente)?"