29
Out

Nem tanto o Céu, Nem tanto a Terra

Horizonte. Ponto onde o Céu beija a Terra. Sem fim e sem começo.Zona de intersecção na qual o celeste vai se tornando gradualmente terráqueo e o terráqueo se sutiliza e se expande para a não-forma do ar.


Contemplar o horizonte me ensina sobre a busca sistêmica da Integração das Dualidades. Nossa mente tristemente treinada no cartesianismo teima em dizer: É isso OU aquilo! É Ceu OU Terra, não dá pra ser os dois...
Será mesmo?

O Céu simboliza e por isso acorda em nós a percepção do sutil, do invisível, da vastidão. O elemento Ar que está tão relacionado com o Mental, com o Pensar, com as Idéias nas tradições antigas de sabedoria.

A Terra, por sua vez, permite o contato com aquilo que é do Material, é o chão, o duro, concreto, e por isso mesmo, célebre representante daquilo que é Real. “Caia na Real!” diz a voz que convida para a aterrisagem na mente que vive “nas nuvens”.

Refletindo sobre a nossa agitada e necessitada humanidade, não me canso de dizer que estamos “Doentes de Extremos”.

Há os que se concentram no extremo do Céu, vivem a vida pela cabeça, tudo o que a vida traz deve ser pensado e compreendido. As idéias ditam o caminho, o que é melhor, o que tem que, mais até do que os fatos. De minha parte chego sempre a pensar que algumas pessoas vivem apenas do pescoço pra cima, fruto do vício moderno de valorizar o que é racional em detrimento do ‘resto’. Seus pobre corpos andam por aí desabitados. Falta vitalidade, presença e, principalmente, prazer em seu cotidiano. O ritmo frenético do pensamento se torna a tônica desta existência. E também o réquiem da ‘empobrescência’, exaustos que estão de tanto pensar!

Há os que canalizam todos os seus esforços na edificação da segurança de suas vidas na Terra. Mas aqui não me refiro a relação com a Pacha Mama (Mãe Terra) com respeito e gratidão que ela merece. Me refiro a matéria mesmo. Ouço o suspirar de jovens de pouco mais de 20 anos que sofrem por não poderem usufruir do carro do ano, celular da moda ou não poder usufruir do  apartamento próprio espaçoso num bairro caro da cidade. Projetos de vida edificados sobre velhos e decadentes princípios culturais brasileiros como uma idéia distorcida de “segurança financeira”, o culto ao salário fixo e a tão batalhada estabilidade no emprego. Muitas incoerências são vivenciadas no fundo destas almas quando a regra que lhes pauta a vida é “primeiro o sucesso material, depois a realização”. O resultado pra muita gente é um misto de sorriso amarelo, queixume e muito antidepressivo.  

Como a proposta aqui neste blog é sempre transformar a visão do DOIS na visão do UM... nem tanto o Céu, nem tanto a Terra!
Não é à toa que no caminho do meio entre a cabeça e os pés está o Coração. Pensar o suficiente, acumular o necessário, deixar-se guiar pelo inteligência e a riqueza do coração. Receita de vida que contém em si sabedoria milenar e as mais avançadas descobertas da neurociência.

É no casamento sinérgico entre a inteligência e os pés no chão que a Inteireza nos é permitida. É no seio do SENTIR  que o PENSAR e o FAZER se harmonizam num balé bonito de harmonia e lucidez.

O mestre Jean-Yves Lelloup (www.jeanyvesleloup.com) nos ensina esta sabedoria utilizando a imagem de uma árvore. Ele nos fala que o caminho da realização da Ser Integral passa por Enraizamento, Centramento e Abertura. Devemos ter nossos pés firmemente plantados no chão, enraizados profundamente no Real e Naquilo que É. Isso permitirá que possamos iniciar um caminho de edificação interior que nos levará à ascensão na direção do alto, do sutil, de uma vida realmente criativa, dirigida por nossa Inteligência Superior. Interdependência é a palavra. 
O Céu precisa da Terra e a Terra precisa do Céu. 
É na inteireza que podemos viver plenamente.

Em outras palavras, quem não tem base firme não dá conta de elevar-se, de crescer viçosamente, muito menos de suportar sobre si o peso dos seus próprios frutos!

“Caminhando num dia qualquer. A cada passo meus pés se entregam totalmente ao chão. Minhas pernas sentem a segurança da terra firme em movimento. No alto de minha cabeça o céu encosta, suave e constante. Em cima da terra e debaixo do céu. Minha respiração flui solta e larga. Meu coração está acordado. Está claro: o Horizonte não é aquele ponto que enxergo lá ao longe, o Horizonte SOU eu!”    Juliana Bley

Para ler mais:
“Enraizamento e Abertura” de Jean-Yves Leloup (Editora Vozes)

Para ouvir e sentir:

Meu poeta Oswaldo Montenegro ensina, de uma forma singela e doce que só a infância é capaz, a Pensar em Coisas Lindas...


Lenine nos brinda com uma canção da terra, que nos cola no chão em todas as suas facetas...



Do Rei, Além do Horizonte cantado por Jota Quest traz o convite a alegria de celebrar...