05
Jul

Medo e COR-AGEM

- Medo, a primeira vez que você gelou minha espinha foi na hora do parto, quando eu saí assim, desse meu jeito apressado e decidido e a médica quase me deixou cair...UFA...


E assim minha vida seguiu, sempre acompanhada por ti.


De pé na porta de uma festinha de aniversário...


No olhar de ´que me olhava´ do menininho que gostava na escola...


Ao soar da campainha do Teatro Guaíra que anunciava que minha apresentação de ballet iria começar...


Na notícia do falecimento alguém da família...


Quando o bandido segurou meu braço na rua para roubar meu walkman...


Na freiada do carro antes da batida no sinal...


E assim fomos. Juntos. Eu e você.


Houve um tempo que acreditei que eu era uma pessoa medrosa. Me diziam que Peixes é um signo de pessoas medrosas. Até que o estudo da astrologia profunda me mostrou que pisciano é aquele que veio aprender a viver na coragem.

COR-AGEM, só está vivo quando age de coração. Foi então que descobri que sua presença diária em minha vida era para me lembrar do quão cor-ajosa eu poderia ser.


Trabalhar todos os dias com o medo na vida dos outros (como terapeuta e como educadora na área da saúde e segurança) me ajudou a compreender o quanto a presença do medo é fundamental na vida humana. Apesar da maioria acreditar que medo é uma presença doentia e que é preciso tomar remédio ou contratar um segurança para parar de senti-lo.


Mais do que uma `emoção básica` que viemos ao mundo programados para sentir, noto o quanto o Medo me faz cautelosa, me faz cuidadosa, me faz amorosa com aquilo que não quero perder, afirma minha fragilidade do corpo e da alma, a força da fé, a potência do amor e o sentimento de fazer parte de algo imenso. Daquilo que não tem começo nem fim, que não nasce e não morre, por isso não precisa ter medo de nada.


Hoje, meu querido Medo, quando você me chega de madrugada, acelera meu coração e me faz sentir pequena, eu te agradeço. É a oportunidade que você me dá de perceber que estou mergulhada na ignorância que me apequena e a chance de comungar novamente com a grandiosidade daquilo que Eu Sou. Num profundo suspiro meu coração se enche de vontade de viver e gozar da vida e a COR-AGEM torna-se de novo um molho que encharca meus olhos, minhas palavras, meus movimentos e meu caminhar de amorosidade, entrega e confiança.


Venha Medo! Me acompanha! Que a tua presença não me paralisa mais nem me faz viver frouxa, ela é um tempero de lucidez que torna os meus dias muito mais VIVOS!



O grande R. Steiner com seu lindo verso e a arte do mestre Lenine são duas companhias que me ajudam para acolher o medo. Isso mesmo. Acolher.              J.B.

FORJANDO A ARMADURA
 

 

Rudolf Steiner (1861-1925)
 
“Nego-me a me submeter ao medo que me tira a alegria de minha liberdade,
 
que não me deixa arriscar nada, que me torna pequena e mesquinha,
 
que me amarra, que não me deixa ser direta e franca, que me persegue,
 
que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.
 
No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo.
 
Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
 
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
 
Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.
 
E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as conseqüências de minhas palavras.
 
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
 
Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.
 
Não quero dobrar-me, só porque tenho medo de não ser amável.
 
Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim:
 
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.
 
Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro de novo.
 
Não quero fazer-me de importante por ter medo de ser ignorado.
 
Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
 
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
 
E quero ser do reino que existe em mim.”