06
Mai

Compaixão

Compaixão nada tem a ver com sentir "peninha" de alguém ou ser "bondoso" com alguém.
Compaixão vem de Com (Junto)  Pathos (dores, sofrimento, desafios humanos).
Compaixão e Empatia têm as mesas raízes. Em + Pathos. Muito mais do que se colocar no lugar do outro.

Compaixão significa ser capaz de sentir junto com o outro a sua dor, seu sofrimento, compartilhar com ele do que ele está sentindo e vivendo.
Empatia é ir até o lugar o outro, procurar sentir e pensar como o outro se sente e pensa, e voltar ao seu próprio lugar para poder lidar com o outro levando em conta o que você aprendeu sobre ele. Trocando em miúdos: empatia é tratar o outro levando em conta sua realidade e respeitando seu direito de ser quem é.

Há alguma coisa mais humanizante e aconhegante do que perceber que a pessoa que está ao seu lado consegue sentir um pouco do que você está sentindo? Ser respeitado por ser quem é, sem ser julgado?

Agir com compaixão é acolher o outro exatamente da forma que ele é, sem julgá-lo, sem esperar que ele seja o que eu quero que seja, sem frustração nem depepcção. Puro respeito.

Não preciso concordar com o que o outro faz ou pensa. Não preciso admirá-lo. Mas posso respeitá-lo no medida que posso me conectar com seu drama pessoal, tentar sentir como ele se sente, me interessar por conhecer sua perspectiva dos fatos e as razões pelas quais ele se comporta da forma que se comporta.

A experiência da Compaixão é necessidade tão antiga e tão valorizada na história da humanidade que diferentes tradições cultuam símbolos e práticas voltadas para faze-la brotar no coração do humano:    



Chrerenzig (símbolo da compaixão de todos os Budas. Aquele que escolheu trabalhar sem cessar pela superação do sofrimento de todos os seres)












Avalokiteshvara (aquele que ouve os clamores do mundo)











Kwan Yin (senhora da Compaixão cultuada na China e em outras regiões do oriente. Símbolo do amor ilimitado por todos os seres)










São Francisco de Assis (símbolo cristão da amorosidade e da aceitação que tratava as pessoas, o Sol , a Lua, as plantas e os animais como seus irmãos)





A atitude compassiva está também no cerne de iniciativas e propostas voltadas para a  Não-Violência por todo o mundo. A resistência pacífica de Mahatma Gandhi na Índia, os esforços pela liberdade e pela paz liderados por Sua Santidade o Dalai Lama, a prática da "Comunicação Não-Violenta" de Marshall Rosemberg, a Universidade da Paz de Pierre Weil...

A compaixão começa no coração. 
Somente a partir de um coração amoroso, uma mente lúcida e uma ação respeitosa com nosso semelhante é que podemos transformar a violência, as palavras levianas, a futilidade, a maledicência e a discriminação do diferente em experiências sociais e relacionais mais humanas, pacíficas e promotoras de dignidade.