14
Jul

A vida gritava dentro de mim!


Chega um dia que a vida que pulsa dentro de nós simplesmente grita: chega!
Deste ponto em diante não é mais possível seguir vivendo como se nada tivesse sido ouvido. O grito ecoa, e incomoda.
Há quem cante por aí que a vida moderna é isso mesmo. Correr...correr...correr. Brinco que hoje em dia é chique dizer: "estou aí, na correria..." Quando ouço isso, ouço também algumas vozes invisíveis que me dizem: "estou correndo, sofrendo no trânsito, trabalhando hoje para pagar a pilha de crediários que fiz ontem, sem tempo de brincar com meus filhos nem de me permitir dormir o quanto meu corpo tem pedido há tempos".

Há alguns anos eu ouvi o grito da vida dentro de mim.
Começou baixinho, fingi que não ouvi.
Foi ficando alto, aumentei o volume do IPod. 
De tão alto começou a doer meu ouvido, tentei calá-la fazendo planos..."quando der eu dou uma paradinha..."
Até que meu corpo inteiro gritava!

Foi preciso criar coragem, tomar muito ar nos pulmões para poder dizer: chega! o tempo de viver de um jeito que não me alimenta a alma, não me faz feliz, me debilita o corpo e me entristece o espírito acabou!

Foram 8 anos dormindo em hotéis de domingo a sexta, comendo comida de resturante, de aeroporto em aeroporto levando a "casa" nas costas (notebook, Ipod, celular, três mudas de roupa e a carteira). Viajando pelo Brasil todo, entrando e saindo de fábricas, empresas e faculdades. Tudo isso em busca de edificar uma carreira sólida e de gerar benefício para os que me contratavam. Até aqui ótimo... No começo tudo é glamour, todos no saguão do aerorporto parecem tão elegantes e bem-sucedidos, o trabalho vai ganhando corpo e os clientes vão aumentando...

Só que depois de alguns anos comecei a sentir que a balança, que sempre achei ser bem equilibrada, começou a perder o centro e o peso passou a cair sobre minhas costas (literalmente!). O meu corpo reclamava, o meu coração sentia muita saudades da minha terra, da minha casa (linda mas que eu nunca estava lá para usufruir), ganhava muito dinheiro mas nunca podia gozar do que tinha, eu sentia forte a frustração de não poder participar de uma confraternização familiar, de fazer um happy hour com meus amigos, de passar no final da tarde "bicar" um bolinho com café na casa da minha avó...sentia falta de vida. 

Corri tanto...voei tanto...estava tão ocupada com os outros que me perdi de mim.