04
Abr

A doença como caminho para ampliação da consciência

O que explica o fato de, numa mesma família, numa mesma casa, algumas pessoas ficarem gripadas e outras passarem ilesas? O que explica uma pessoa que nunca fumou morrer de problema pulmonar? 
 
Essas e tantas outras perguntas nos fazemos na tentativa de compreender o que nos faz cair doentes. E mais do que isso. Como podemos fazer para prevenir as doenças? 
 

A Organização Mundial de Saúde já trabalha com a idéia de que SAÚDE é mais do que a ausência de doenças desde os anos 70! A noção atual de saúde contempla, para além do corpo físico, o bem estar emocional, social, intelectual, profissional....e por aí vai.

 
A partir deste olhar sistêmico para o binômio saúde/doença é possível superar o senso comum de atribuir uma doença ao agente externo (virus)  OU  fatores genéticos OU maus hábitos OU falta de acompanhamento médico... Trata-se do exercício de trocar o OU pelo E, somando e integrando os mais diversos fatores. É uma forma de reconhecer a complexidade contida no processo de adoecer.
 
Mas ainda é uma forma simplista de ver a coisa pois pega os pedaços antes vistos de forma isolada e os soma a todos, como se estivéssemos colando um espelho quebrado.
 

Confesso que me agrada e interessa mais o movimento inverso. Olhar para o Ser Humano como um grande sistema complexo no qual todas essas facetas citadas acima se inter-relacionam. Não há separação, nem sequer entre corpo e mente (a mais habitual). É como a antiga medicina chinesa e a indiana medicina ayurvédica olham para os processos de saúde e doença, por exemplo. Para eles, o Ser inteiro adoece, não somente uma parte (um órgão)

 
A sintoma ou a doença, vistos desta forma, são sinais de que algo não vai bem com este Ser.
 
Rudiger Dahlke, autor do clássico "A doença como caminho", baseia-se nos ensinamentos das antigas tradições e também nas mais modernas evidências da ciência moderna para nos ajudar a compreender que para poder tratar efetivamente e também ser capaz de prevenir doenças é preciso mergulhar no entendimento dos conflitos que a alma está vivendo. Ele diz:

 

"Temos que ouvir e ver o que a doença tem a nos dizer. Tudo depende da direção em que se voltar o olhar, e não do que está certo ou errado. Estar doente, neste contexto, significa ser imperfeito, inseguro, vulnerável e mortal. A doença faz parte da saúde assim como a morte faz parte da vida".

Olhar para um sintoma ou uma doença desta forma nos permite indagar a este Ser que sofre sobre as raízes mais profundas de seu conflito que, ao se associar a fatores genéticos, ambientais, agentes externos e hábitos, contribuiu para que um quadro de sofrimento se instalasse.

Rudiger afirma que "quase todos os sintomas obrigam as pessoas a mudar seu comportamento em alguma direção".

 
Ele sugere que nos perguntemos diante de uma enfermidade:
 
1) Que coisas eu gostaria de fazer que este sintoma me impede de fazer?
2) Que coisas este sintoma me obriga a fazer e que eu não gostaria de fazer?
 

Experimente. É muito forte pois na medida que nos abrimos para tomar consciência do que estamos vivendo como um todos percebemos que aquela gripe, aquela topada no mindinho, aquela dor de estômago fazem todo o sentido com a forma como estamos encarando nossa vida e o que precisamos trabalhar em nós neste momento.

É claro que não estou aqui defendendo a idéia de que as doenças não devem ser tratadas pelas vias convencionais e recomendadas. Não é isso! Ficou doente, procure orientação médica. Mas também faça sua "tarefa de casa".

Estou simplesmente propondo o resgate de um olhar para o adoecimento que vai mais além do visível e que a pratica da ESCUTA do nosso corpo deste jeito poderá permitir àquele que o faz uma compreensão mais profunda e humanizada de si.

Sim, a doença nos humaniza.

Adoro a passagem na qual Dahlke diz

 
"A presença do sintoma nos mostra justamente aquilo que nos faz falta (o que fica na sombra). A doença sempre aperta o ponto vulnerável ou o ponto em que somos infelizes porque acreditamos ser possível alterar o rumo do mundo com nossa autoridade pessoal. Aí basta uma dor de dente, um torcicolo, uma gripe ou uma desinteria para transformar o brilhante herói num pobre verme”.
 
Escrevo sobre isso hoje direto da cama, ao lado da caixa de lenços e do chá de gengibre, com uma gripe "braba" daquelas de chorar de um olho só. Mal é o que melhor define como estou me sentindo: Estou me sentindo muito mal!
 
Mas, como sempre faço quando adoeço, venho desde
 
ontem me perguntando que sentido faz esta gripe, neste momento, em minha vida? Me impede do que? Me obriga a que?
 
E como sempre acontece já consigo fazer uma idéia do que levou meu Ser a se permitir adoecer,  por que ele precisou desta gripe e o que ele me pede neste momento.
E estejam certos, eu obedecerei.
 
 
 
 
Rudiger Dahlke escreveu "A doença como caminho", "A doença como linguagem da alma", "A saúde da mulher", "A doença como símbolo" e outros livros (editora Cultrix)sobre uma abordagem simbólica das doenças.
Vale a pena conhecer!